Crise da habitação em Portugal: o que muda com as novas medidas do Governo
Crise da habitação em Portugal: o que muda com as novas medidas do Governo
Nos últimos dias, muito se tem falado sobre a crise da habitação em Portugal e as novas medidas da habitação anunciadas pelo Governo.
Entre isenções de impostos, crédito bonificado e incentivos à construção de habitação, as propostas multiplicam-se. Mas há um problema: fala-se de tudo ao mesmo tempo e, no fim, poucos percebem o que muda realmente.
Neste artigo, explicamos de forma simples quais as medidas com impacto real, o que ainda vai demorar o seu tempo e por que motivo esta crise não se resolve de um dia para o outro.
1. A crise da habitação em Portugal: o estado atual do mercado
Antes de avaliar as medidas, importa compreender o ponto de partida.
Nos últimos meses, cerca de 10% das empresas e franchisings imobiliários fecharam portas em Portugal.
O mercado abrandou, os custos subiram e a oferta de habitação continua em queda: um cenário que ajuda a perceber a dimensão do problema.
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A procura mantém-se elevada
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A oferta continua limitada
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Os preços não param de subir
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E a normalização só é esperada em 2029
Assim, é importante perceber que nenhuma política isolada consegue inverter este desequilíbrio rapidamente.
Trata-se de uma crise estrutural que exige tempo, consistência e planeamento.
Já tínhamos abordado este tema no artigo Capacidade de compra vs. valor de mercado, onde explicamos como os rendimentos e os preços das casas se afastaram nos últimos anos.
Dessa forma, este novo artigo aprofunda a questão e mostra o que pode — ou não — mudar com as recentes medidas governamentais.

2. Medidas da habitação em Portugal para quem quer comprar casa
O Governo anunciou várias medidas de habitação para facilitar a compra da primeira casa, sobretudo entre os mais jovens.
Por um lado, há incentivos fiscais; por outro, surgem novas formas de crédito com apoio público.
Além disso, o objetivo declarado é facilitar o acesso à habitação e reduzir as barreiras à compra.
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Isenção de IMT e Imposto de Selo para quem tem até 45 anos.
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Crédito bonificado entre 18 e 35 anos, com garantia pública e financiamento até 100% (em estudo).
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Suspensão de penhoras até 2026.
Estas medidas são boas notícias para quem procura estabilidade.
No entanto, o efeito prático será limitado, uma vez que a maioria só entra em vigor em 2026.
Além disso, continuam dependentes de um fator incontornável: o preço das casas.
Por conseguinte, o impacto real para os compradores será gradual, e não imediato.
Em contrapartida, o mercado poderá beneficiar de maior confiança entre os mais jovens, que passam a ter um enquadramento fiscal mais previsível.
3. Medidas para quem arrenda casa
Do lado do arrendamento, o Governo tenta aliviar a carga fiscal e incentivar mais oferta.
Neste campo, as principais medidas são as seguintes:
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A dedução das rendas no IRS sobe para 900€ em 2026 e 1000€ em 2027.
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Senhorios com rendas até 2300€ passam a pagar apenas 10% de imposto.
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São criados incentivos ao arrendamento acessível e contratos de longa duração.
Assim, estas medidas procuram equilibrar o mercado e dar maior previsibilidade tanto a inquilinos como a proprietários.
Contudo, o principal obstáculo mantém-se: sem mais casas disponíveis, não há rendas acessíveis.
De facto, a crise da habitação em Portugal é, acima de tudo, uma questão de oferta.
Por isso, as políticas de arrendamento terão de ser acompanhadas por incentivos à construção e à reabilitação urbana, caso contrário o efeito será apenas temporário.
4. Construção de habitação: a solução estrutural
A verdadeira resposta para o problema passa pela construção de habitação em Portugal.
É aqui que se concentram as medidas com impacto mais duradouro e estrutural.
Ao mesmo tempo, é também a frente que mais depende da capacidade de execução do setor público e privado.
O pacote do Governo inclui várias iniciativas relevantes:
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Redução do IVA para 6% nas construções até 648 mil euros.
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Simplificação dos processos de licenciamento.
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Aproveitamento de edifícios públicos para novos projetos.
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Apoios ao modelo build to rent, destinado a aumentar a oferta de arrendamento.
Tudo isto representa um passo importante para corrigir o desequilíbrio entre procura e oferta.
Contudo, estas políticas de habitação exigem tempo, investimento e estabilidade regulatória.
Além disso, a construção de habitação depende tanto de mão-de-obra como da disponibilidade de terrenos e da agilidade das câmaras municipais.
Por outro lado, é preciso garantir que o incentivo à construção não se traduz apenas em habitação de luxo.
Em suma, o impacto será positivo, mas apenas a médio prazo.
5. O que muda… e o que ainda não muda
Há medidas da habitação com potencial para aliviar o mercado, mas o impacto será gradual.
O Orçamento do Estado pode abrir caminho, mas não muda o terreno.
E enquanto não forem construídas mais casas, os preços dificilmente baixarão.
O essencial é compreender o contexto antes de tomar decisões, seja comprar, vender ou investir.
Conclusão
Em síntese, a crise da habitação em Portugal não se resolve com decretos, mas com planeamento, consistência e visão de longo prazo.
As medidas da habitação ajudam, mas só terão efeito real quando forem acompanhadas por mais construção e políticas sustentáveis.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de casas construídas em Portugal ainda está muito abaixo do nível pré-crise.
Além disso, as medidas completas podem ser consultadas no Portal da Habitação.
Na Go Now Real Estate Advisors, acreditamos que compreender o mercado é o primeiro passo para fazer escolhas conscientes.
Por isso, veja o nosso novo vídeo no YouTube sobre as medidas da habitação e partilhe com quem precisa de clareza neste tema.
Se está a pensar comprar ou vender casa, veja também o artigo Como escolher a imobiliária certa para o seu caso.
Assim, poderá comparar diferentes estratégias e tomar decisões mais seguras.
Até breve,
Hugo Silva
Go Now Real Estate Advisors
@gonow.com.pt
