Construir Portugal 2026: cinco perspetivas sobre o que vem a seguir

Construir Portugal 2026: cinco perspetivas sobre o que vem a seguir

O programa Construir Portugal 2026 está no centro do debate sobre o futuro da habitação em Portugal. Nos últimos meses, muito se tem falado sobre as medidas anunciadas e sobre o que poderá mudar no mercado imobiliário em 2026 .

Fala-se de medidas fiscais, crédito, incentivos à construção e arrendamento acessível. Mas há um erro frequente neste debate: tratar o mercado como se fosse igual para todos.

Não é.

Vendedores, compradores, arrendatários, senhorios e investidores vivem realidades diferentes. E enfrentarão 2026 de formas distintas.

Para perceber o impacto real do Construir Portugal 2026, é preciso olhar para cada perfil separadamente.

 

 

1. Construir Portugal 2026: impacto para quem vende casa

Hoje, o mercado continua relativamente favorável ao vendedor em muitas zonas do país.

Contudo, 2026 poderá marcar um ponto de transição.

Uma das medidas previstas no âmbito do Construir Portugal é a possibilidade de isenção de mais-valias quando o valor da venda é reinvestido em imóveis destinados ao arrendamento com rendas até 2.300 euros.

Se esta medida gerar adesão significativa, poderá contribuir para aumentar gradualmente a oferta no mercado. E mais oferta significa maior concorrência.

Isso não implica uma descida automática de preços, mas poderá exigir maior rigor na definição de preço e estratégia.

Para quem vende, continuarão a ser decisivos:

  • posicionamento correto,

  • análise comparativa realista,

  • e timing ajustado ao contexto.

Vender bem em 2026 dependerá da capacidade de antecipação.

 

2. Construir Portugal 2026: o que muda para quem quer comprar

Para quem quer comprar, o programa Construir Portugal 2026 poderá representar melhores condições estruturais; mas não necessariamente preços mais baixos.

Entre as medidas mais relevantes estão:

Crédito à habitação

O Governo tem sinalizado abertura para flexibilizar o acesso ao crédito, quer para aquisição quer para construção.

Isso pode facilitar o financiamento, mas não altera automaticamente a relação entre oferta e procura.

Redução do IVA para 6% na construção

A redução do IVA pode tornar alguns projetos mais viáveis em termos de custo.

No entanto, o impacto será gradual e dependerá da capacidade real do setor para executar.

Incentivos para jovens na primeira habitação

A continuidade da isenção de IMT e Imposto do Selo mantém-se como fator relevante para jovens compradores.

Ainda assim, é importante sublinhar: melhores condições não significam mercado mais barato. Significam enquadramento mais favorável para quem planeia.

 

 

Mercado imobiliário em 2026 e diferentes perspetivas de evolução

 

3. Se vive em casa arrendada

Para quem arrenda, o programa aponta para algum alívio fiscal e reforço do arrendamento acessível.

Está prevista a subida progressiva da dedução das rendas no IRS, o que pode representar apoio relevante no orçamento mensal.

Contudo, o problema estrutural mantém-se: sem aumento efetivo da oferta, não haverá rendas estruturalmente mais baixas.

O impacto real dependerá da execução das medidas e da capacidade de aumentar a construção.

 

4. Se é senhorio

Entre os diferentes perfis, o senhorio é o que poderá sentir impacto mais direto das medidas.

Destacam-se:

  • IRS reduzido para rendas até 2.300 euros,

  • benefícios fiscais para reinvestimento,

  • incentivos à colocação de imóveis no mercado de arrendamento.

A mensagem é clara: o Estado pretende aumentar a oferta.

Mas qualquer decisão deve considerar:

  • estabilidade regulatória,

  • procura real,

  • sustentabilidade das rendas no médio prazo.

 

5. Se investe em imobiliário

Para investidores, o Construir Portugal 2026 é um enquadramento estrutural.

A redução do IVA para 6%, o foco no modelo build to rent e a mobilização de património público apontam para um mercado que pretende reforçar oferta organizada.

Não se trata de um programa orientado para retorno imediato.

É um cenário pensado para quem investe com:

  • visão de médio prazo,

  • estrutura financeira sólida,

  • estratégia clara.

Construir Portugal 2026: impacto diferente para cada perfil

O programa não resolve o desequilíbrio estrutural do mercado de um dia para o outro.

Mas ajuda a enquadrar como o mercado imobiliário em 2026 poderá evoluir.

A pergunta deixa de ser:

“O que vai acontecer ao mercado?”

E passa a ser:

“O que poderá mudar para mim?”

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Conclusão

Quando falamos de Construir Portugal 2026, falamos de enquadramento, não de soluções imediatas.

O impacto dependerá sempre de:

  1. Execução das medidas.

  2. Aumento efetivo da oferta.

  3. Contexto económico geral.

Vendedores, compradores, arrendatários, senhorios e investidores vivem realidades distintas e devem analisar 2026 a partir da sua posição específica.

 

Na Go Now Real Estate Advisors, acreditamos que decisões informadas são sempre decisões mais seguras.

Se quiser analisar o seu caso concreto à luz deste novo ciclo do mercado, fale comigo.

Se está a pensar comprar ou vender, pode também ler o nosso artigo sobre como escolher a imobiliária certa para o seu caso.

 

Hugo Silva

Go Now Real Estate Advisors

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